terça-feira, 13 de setembro de 2016

A falta de sentir falta: estamos cheios demais?

Estamos em Setembro. Aliás, já quase na metade de Setembro. E qual é a razão por contar tanto o tempo?
A cada instante que reconheço sentir que o tempo vai rápido demais, parece que eu é que estou lenta para a velocidade das coisas: sempre há falta. 

Falto com telefonemas à família; falto com aniversários de amigos (perto ou longe); falto em estudar, ler um livro, uma revista, um artigo. Falto na academia, na matrícula de um curso que já vi quanto custa, mas só não fui lá pagar - quanto mais frequentar?. Falto, mesmo que eu queira, que eu tente estar. Mas arrisco: não falto ao trabalho.

Há momentos, principalmente Domingo, que resolvo olhar meu celular e, ao invés de responder às mensagens às quais faltei atenção ou simples resposta ao longo da semana, travo. Na falta faltante, decido me faltar; quase me ausentar de mim mesma, desse tempo, dessas coisas. Falto à ação e durmo. Descanso. Faço nada.

Nessa organização para não fazer nada, e isso é um refúgio para mim, causo uma estranheza para o outro; enquanto, para mim, estranhas são as pessoas em restaurantes, bares (e "até" cinema/teatro) ficarem incessantemente ao celular. Eu entendo: "aproxima quem está longe, afasta quem está perto". Eu entendo: "é uma ferramenta, a pessoa quem deve saber usar".

Me preocupa a leitura das pessoas sobre essas coisas todas: Me preocupa estar na praia, em shows, em parques, museus, cafés, ou em qualquer tipo de vivência experimental e ver que as pessoas, muitas vezes, não estão vivendo e nem experimentando, mas "postando", contando "para o outro" - o mesmo outro que está vendo e não necessariamente inteiro naquilo que vê e, sequer, vive ou é.

Usando quase minimamente o celular, ainda assim, me falta muita coisa! Tentei me colocar em dia durante as férias; fiz questão de escolher um lugar isolado, "desconectado", e ainda assim, faltou. Faltou tempo para mais dessas paradas.

Diariamente falta tempo para sentir menos "ah, queria mais tempo" para fazer tanta coisa e tempo para não fazer nada. Tempo e qualidade de tempo para estar inteira nas relações. Para viajar e aproximar o longe a ser perto. Tempo para ser, não estando. Só sendo. 

Mas, arrisco: não falto ao trabalho. E talvez você também não. 


Pausemos: antes que o tempo nos pare: "longas caminhas necessitam boas paradas".

4 comentários:

Rafita disse...

Grande Babi!! Texto sensacional, parabéns!

Bjao saudoso,

Clarice disse...

Tá sobrando falta.

Fabio Drumond disse...

Babi, seus textos são incríveis, quando os leio pareço fazer parte da história, parabéns e continue publicando... cada vez mais!!!!!

Obrigado.

Fábio Drumond

Minha louca vida disse...

Olá, Babi.

Nos conhecemos na época da Aiesec e desde então sigo seu blog porque adoro o seus textos. Esse em particular reflete muito do que penso sobre o tempo e sobre a relação que temos com o nosso trabalho, que quando não é prazeroso, nos suga e nos escraviza.
A partir de 30 de Setembro inicio um período sabático, exatamente para conseguir colocar as idéias em dia e ter tempo para realizar as coisas que gosto e que há muito não dava atenção.
Parabéns pelas palavras!! Sucesso com o tempo!

*Não adesão à nova regra gramatical.