sábado, 3 de abril de 2010

E os sapatos que não me cabem?

Outro [1. Diverso do primeiro; diferente de pessoa ou coisa especificada; 2. Diferente, diverso,distante (...); 4. O resto; o restante (...)].
Aurelio

Não sei se é do ser humano, mas acho que é de várias pessoas, inclusive de mim mesma, achar que estamos em situações únicas e que, algumas vezes, só nos damos conta que não estamos tão mal ou tão bem assim, quando criamos oportunidade para entender uma outra pessoa e conhecer uma situação diferente.

Acho que sempre pensei assim, ou pelo menos sempre tentei. "Assim" que eu digo é sob a perspectiva do outro. Não que algumas coisas se justifiquem, mas acho que quando você tem a visão do lado de lá - talvez isso seja um ponto curioso que tenha me feito estudar Jornalismo - você critica menos, ou critica fundamentado no que falta ou excede; no equilíbrio do que é bom e ruim.

É difícil a afirmação, por isso, principalmente no dia-a-dia, acabamos por nos colocar como sendo únicos e injustiçados - ou felizardos - de um modo geral, sem necessariamente olhar para quaisquer lados: - teríamos nos tornado individualistas?

Reflexões (vagas) a parte, tenho alguns (bons) exemplos que me acalmam, me confortam, me fortalecem, me inspiram e me motivam, por me mostrarem de que não, não sou só eu e meu umbigo:

A Conina está na Polônia, trabalhando para uma senhora empresa de Petróleo, depois de ter trabalhado com cultura, na Índia. O Marcelinho está na Costa Rica, trabalhando para uma monstruosa indústria farmacêutica. A Milinha esteve em Paris, trabalhando para uma recauchutada empresa de telecomunicação. Lorão ainda está na cidade Luz, fazendo mestrado; redescubrindo-se na vida de estudante europeu, ao contrário da Amanda, que após terminar um semestre em Direito Internacional, voltou para casa. A Lora está em um Banco Holandês, perto da Anna, na Bélgica. Cacá, na Suíça, em um Banco de origem daquele país, mas em cidade diferente da Beta, que antes de desembarcar no País do Chocolate para uma missão pela ONU, esteve em uma árdua tarefa quando em um trabalho volutário, no Quênia. Sister está na Itália, para uma empresa de telefonia (móvel). Leo, na Romênia. Chefitcho, na Suécia, mais ao Sul, de onde está o Kabelo. A fofa-da-Aline está no tremelique do Chile e a Ju, comendo pastéis de Belém, naquele que nos colonizou. Cissinha já-já volta da Hungria, mas não sei se o Henrique volta de lá. O Delfa, no México, fica ainda uns três anos, eu acho. Meu irmão está no sertão Baiano, para onde a Lubi vai em breve. A Duda se mudou para São Paulo, por onde a Marcela vive há anos, um pouco depois que nós saímos do colégio. A Fernanda foi há pouco mais do que um/dois anos - já perdi a noção do tempo!

Neste discurso vai a vida, etc e tal. Mas e aí?

E aí que todos eles passaram, passam ou vão passar pela experiência, como se brincassem na montanha-russa:

Começa devagar, tem uma descida brusca que parece desesperadora, mas impulsiona para cima, porque se pensar bem, há um leve prazer naquele caos e, depois, volta a ficar devagar, pela subida que se repete. Raramente há momentos lineares. Cada um com seu sapato teve que entrar no carrinho para ver o nível da emoção. Umas mais íngrimes, outras nem tanto. Outras com quedas de 90 graus, praticamente queda livre. Algumas bem motorizadas e modernas, acolchoadas. Outras velhas, nada confortáveis, mas que proporcionam diversão e receio que, no fim, fazem seu papel de entregar a experiência prometida.

Cada um com seu sapato, ali. Cada um com seu umbigo. E é aí que eu entro com meu pensamento e agradecimento de que eu não sou a única a gostar deste tipo de sapato: há consumidores com uma linha de escolha parecida com a minha, embora não igual. E, se é parecida, eu posso pensar no porquê da escolha daquele produto que não necessariamente é melhor ou pior; é simplesmente o resultado de uma decisão.

Ah, será que gostaria mesmo de experimentar o calçado deles? Diferente, mas compreensível.

Enfim, entendendo que não importa onde, nem como, mas todos nós, muito provavelmente, sentiremos falta e colocaremos questionamento nas mesmas coisas e, no final, vamos às mesmas lojas em busca dos mesmos sapatos. Uns mais coloridos, outros maiores, uns descobertos. Mas nenhum desconfortável o bastante que te faça optar por andar descalço - não enquanto se está na montanha-russa:

"(...)Pare e pense no que já se viu
Pense e sinta o que já se fez
O mundo visto de uma janela
Pelos olhos de uma criança

Você sabe
Que o sentimento não trai
Um bom sentimento não trai(...)".
O Erê, Cidade Negra

4 comentários:

Alexandre disse...

Babi!
Saudaaaaaaaaaaaades!
Bjao!
Dino X

Marcelinho disse...

Show de post hein minha idola! E quantas conexoes em lugares tao distintos! Vc me trouxe boas lembranças...Grande beijo e fiquai honrrado com a citação :)

Cibele disse...

Bárbara,
Sou da alumnus da @ e entrei neste blog por causa da assinatura do último e-mail que você enviou no egroup @BR @mbass. Gostei do e-mail, gostei do nome do seu blog e entrei. Amei seu blog também! Gostei muito do seu estilo de escrever e dos temas sobre os quais escreve. Vou voltar outras vezes a visitá-lo!
bjs

Bárbara Teles disse...

Xandinho, coisa boa tê-lo por aqui.

Fofo, nem preciso falar nada.

Cibele, bem-vinda e espero que permaneça =)

*Não adesão à nova regra gramatical.