terça-feira, 4 de julho de 2017

El Nido: uma aquarela natural | parte 5

"A vida neste mundo seduz por sua própria beleza e pela harmonia que mantém com todas as pequenas coisas belas que nos cercam". Santo Agostinho. 

Optei por ir para El Nido de carro - desde o planejamento no Brasil achava que eram voos demais e li referências de que encarar seis horas de estrada valia muito mais a pena do que enfrentar aeroportos e atrasos - e valeu! 

A viagem foi tranquila e, de novo, porque gosto, fui acesa observando as pessoas ao longo do caminho, a vista para o mar, muitas vezes privilegiada por ser um sobe-e-desce-e-curva. 

Paramos duas vezes e desci só na primeira, por necessidade de esvaziar a bexiga, já que meu apetite sumia assim que meus outros sentidos assimilavam o entorno - sujeira, calor, mosquito, cheiros estranhos e hábitos já ditos. 

A chegada em El Nido em si é horrorosa!: confusa, com mistura de árvores, lixo, tuk-tuks, pessoas e animais - de todos os tipos. Se eu não tivesse visto fotos eu desacreditava que o lugar para o qual estava indo era o mesmo em que chegara: inenarrável a sensação de vistas tão distintas uma das outras, onde parece mesmo que paraíso e terra-mundana não coabitam.

Neste cenário de caos e imundice, chegamos ao meu hotel: diferente dos outros dois e, talvez, próximo ao de Boracay, o atendimento era ruim, a recepcionista não falava inglês e o aspecto era aparentemente daqueles puxadinhos, em que alguém teve a ideia de "por que não um hotel?", sem qualquer experiência ou noção do ramo - nestas horas, me impressionava com a diferença positiva que o Brasil tem tomado nos últimos anos, acerca do turismo.

Incômodos carnais à parte, banho, jantar, descanso e a preparação para o primeiro grande encontro: Helicopter Island, Hidden Beach, Star Beach, Secret Beach e Matinloc Shrine.

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Toquinho quando compôs Aquarela certamente não tinha conhecido El Nido, porque se tivesse, de alguma forma, ela estaria representada por se tratar mesmo de uma pintura, como jamais vista.

A companhia dessa vez foi a melhor de todas: grupo pequeno e silencioso, éramos ao todo oito pessoas, sendo cinco jovens filipinos - um casal e três amigas - e dois jovens alemães - dia de paz, sem tumulto ou falações sem fim para desfrutar da literal maravilha do mundo.

Começamos por Helicopter Island, surpreendente pelo sua composição mista entre montanhas e florestas, água azul escura, de mar profundo, mas transparente, quando debaixo d'agua buscava encontrar meus amigos-peixes, lindos e coloridos, variando entre amarelo, laranja, azul, vermelho e verde, a depender do sol - que, por sinal, brilhou com leve intensidade: El Nido amanhecera nublado e o dia se passou entre nuvens, com brisas a todo instante, dando uma trégua para a pele e o mormaço.

Dali seguimos navegando sem qualquer horizonte que não o mar azul e as pedras rochosas, quando o barco começou um movimento leve para a esquerda e entre duas montanhas avistamos uma praia de areia branca - o que me pareceu uma espécie de oásis. Pulei, e dali de onde o barco atracou fui nadando até a praia, fazendo o movimento inverso de todos aqueles dias. No caminho, encontrei infinitas belezas subaquáticas e, na volta, a família do Nemo reunida: coisa mais linda!

Da Hidden Beach, agora revelada, paramos na Star Beach e, enquanto eu via peixes azuis e verdes, além de corais rosas, lilás e vermelhos, passando em segundos de uma zona clara-transparente-fundo-areia-branca para um imenso azul-petróleo sem fundo, nosso almoço era preparado dentro do barco, na grelha - e, talvez, destes oito dias, esta tenha sido a primeira refeição local boa, em que repeti, inclusive - e a melancia - agora vermelha, não mais amarela - foi mesmo a sobremesa e não minha refeição principal - ou eu já tinha me adaptado(?)!

Em menos de 10 minutos depois de finalizarmos o almoço, o barco atracou em um dos enormes paredões que abraçam o mar de El Nido - e pensei: "daqui pra onde, meu filho?". E o guia prontamente respondeu: estávamos prestes a entrar na "Secret Beach", que como o nome sugere, só pode ser acessada ao nadarmos por debaixo de duas pedras - não precisa mergulhar: dá para passar fazendo o inconfundível nado do "cachorrinho", com a cara para fora d'água (risos), ou usando coletes: vai por mim!; tinha muita vovó acessando a belezura (risos). 

Pulei, porque ali o mar já é fundo - e permanece até quase chegar na areia - e fui feliz até as duas pedras, nadando - uma outra coisa simples que fez da minha viagem mais bem aproveitada e incrível foi ter levado meus óculos de nadar. Em todo passeio há snorkel disponível, mas duvido que são higienizados e na grande maioria das vezes você tem que pagar para usar - que ok, não é caro, mas preferi mil vezes o meu simpleszinho, que me possibilitou vivenciar o encantamento por dentro do mar e proteger meus olhos do sal; aliás, achei Secret Beach pesadíssima neste sentido, literalmente: da até para boiar, de tão densa, depois que você atravessa por debaixo das duas pedras e se vê quase que numa pequena lagoa privada, naquela mistura de cores de azul e verde, com a mata das montanhas rochosas dando o tom.

Para fechar o dia, chegamos em Matinloc Shrine, uma propriedade privada, que por anos abrigou missões católicas. Ali atracamos, entramos na ilha (pagamos 100 pesos, o equivalente a quase sete reais) e andamos. Subi uma escada de pedras e me deparei com a vista de tudo aquilo que tínhamos percorrido - e mais um pouco: me lembrou Ariel's Point, o ponto alto de Boracay. É de tirar o fôlego. Embasbacar. Abrir a boca. E agradecer. 

Fotos tiradas, o calor tinha voltado um pouco - ou era o êxtase. Pulei no mar para me despedir daqueles corais iluminados, peixes, estrelas do mar e centenas de outras composições do desenho da Aquarela que eu não sei atribuir nome; apenas significado.

3 comentários:

Fabio Drumond disse...

Ei Babi, tudo bem? Estou super curioso pelos registros fotográficos desta sua viagem/aventura. Tem publicado em algum lugar? Flirck, instagram, etc??

Bjos.

Fábio Drumond

Bárbara Teles disse...

Oie!

Facebook coloquei todas, mas se animar, te mando algumas por email ;)

Feliz que esteja gostando!
Beijos!!

Fabio Drumond disse...

Oi, não tenho facebook por isto não tenho visto :/

Se conseguir me mandar por e-mail/whatsapp eu adoraria receber pra conhecer um pouco mais deste lugar em que nunca pensei em ir mas que confesso que me despertou certa curiosidade.

Caso a internet por ai seja uma carroça me manda quando voltar, sem pressa.

Obrigado! :)

Beijão.

*Não adesão à nova regra gramatical.